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dezembro 12, 2008

penso torto

cai da cama ao sonhar

e nem consigo absorver estrelas

incapaz de flutuar


Elenise Penha

dezembro 04, 2008

às vezes se cansa

cansa de tudo

de toda essa

de tudo isso

me deixe estar fora de serviço

novembro 13, 2008

Tudo

e era muito
quase tanto
muito, muito, muito
encanto
T U D O
Elenise Penha

novembro 06, 2008

e é simples, é tudo tão simples... pra certas coisas da vida, basta respirar. e é tão simples, tão imensamente simples. vez em quando dá vontade de largar tudo e sair por aí, sem nada nas costas. jogar tudo isso fora

fora
ir-se-embora
nem que fosse agora

quem dera
Elenise Penha

novembro 03, 2008


queria eu parar de pensar
por um momento
respirar tranquilamente
e fazer jorrar cada molécula de cê-ó-dôis
sem preocupação alguma
PARAR
por um momento
com toda a chuva de granizo
com toda aquela gente
com tudo aquilo tudo

porque ser gente grande é chato

os pés incham e a água seca
e tudo se torna deserto
de sal
onde antes havia mar
morto

secou

não chove mais
só de tempos em tempos

mas agora chove
sim, sim

e a chuva virou lodo...

... ... ...

Elenise Penha

maio 25, 2008

Faxina



limpo a casa
poeira
nos móveis, nas caixas, em mim
limpo a alma
tiro o pó de livros que eu nunca li
de troféus que não ganhei
de fotos que era eu

Elenise Penha

maio 13, 2008

não quero amor nem dor, não quero nada. o vento no rosto e a chuva ao pôr-do-sol já me basta. é o que me resta no fim das contas. tudo passou tanto tempo cinza que o máximo possível agora é o branco. dizem que é a mistura de todas as cores, não desminto, mas tenho razões para não crer.

minto, quero sim. sim, sim, sim! quero dançar de olhos fechados, ao som da doce voz infinitante, até o sol nascer. e então, no fim, o pôr-do-sol virá.

cansei do preto, insistente em meus olhos e em minhas vestes. o vermelho nunca sai de minhas veias, mas, agora, abertos estão meus braços ao branco... branco que me cega. quem se importa?

ah! que dure... que dure essa vacilante paz. importa???

maio 06, 2008

paro e penso. lembro das madrugadas. sempre as madrugadas. estudos, devaneios, amores, destinos, vinho. escuto músicas que me fazem lembrar de pedacinhos. pedacinhos tristes de memória que têm uma fluidez incrivelmente irritante, possibilidade de ir a qualquer parte. saudade, muita saudade. e me pergunto p'ra que diabos tudo isso. vários ais em várias caixinhas de várias cores e tamanhosaparentemente diferentes. alguns sussurros. vários gritos, vários gritar alto com o braço p'ra cima. e adentro empurrado com força. sorrisos e olhares esquivos. é assim que é. nem sei se é assim que sempre foi. nem sei de nada. nada. naaaaaaaaaaaaaaaaaaada mas não morre na praia porque se morrer vai ser no mar. e aquela de cabelos longos te salva. aquela mão que te puxa e sempre está ali, mas só age de quando em vez. horas estranhas. fotos antigas. artes e manhas nas manhãs frias em que o Sol nem saiu direito. antes era madrugada. madrigando, matutando, mastigando. demais. demais, demais, demais, demais...

haverá mais?
um a mais

4

qualquer que seja?
um que faz?

maio 02, 2008

De vez em quando...

... de quando em vez é bom delirar um pouco. é bom, é preciso. necessário p'ra não se enlouquecer. se iludir um pouquinho. fantasiar e sentir as borboletas passando pelo corpo junto com aquela sensação de pseudo-bem-estar. um sorriso besta olhando p'ra cima com olhos mareados...

o que seria da vida sem a fantasia??? ^^,

Elenise Penha

"no deserto sem saudade, sem remorso só. sem amarras, barco embriagado ao mar"

maio 01, 2008

Preferes as cousas ou as pessoas???

e tudo em mim dói. como se eu estivesse cheia de chagas. feridas abertas, expostas aos vírus, sem nenhum anticorpo, sem nenhuma imunidade.

*para isso, existem as vacinas. e a seringa quebrou...

e tudo é um olhar vazio. um sorriso de plástico, amarelado. amarelo por causa do tempo. tempo tempo tempo maldito que teima. nada de dias nublados. "se chover vai ficar frio e eu não quero pôr a roupa. se chuver tudo, tudo vai escorrer. vai embora."

não, não é assim. a chuva é bonita... apesar de encher seus dedos de lama e molhar seus livros.

*o nada, nesse momento, cairia melhor...

na dúvida, sente. observe ao redor e não fale. apenas responda as perguntas que eventualmente são feitas. ligue o piloto automático e sorria de vez em quando, pra não levantar suspeitas.

*o que vem fácil, vai fácil também?

e não adianta mais fazer muita coisa. o tempo já passou e o portal já foi aberto. nenhum aceno triste no embarque. nenhuma lágrima. nem ao menos um adeus...

*é melhor assim, não é verdade?!

é melhor assim, é melhor assado. sempre um plano. sempre. "vou arrumar meu quarto, depois tomo banho, dou comida pro cachorro e vou pra casa da..." no mesmo dia acorda mal-humorado porque a água acabou e o dinheiro parece que foi com a última descarga do banheiro.

*as coisas acabam. é a ordem natural delas...

[NEM SEMPRE É O QUE PARECE. SEMPRE É O QUE ACONTECE E TUDO QUE ACONTECE É POR CULPA SUA. TODA SUA! SUA E DE MAIS NINGUÉNS.]

dor. olhar vazio. sorriso amarelado.
e nunca vi um celular pra vibrar tanto... e nada. as pessoas falam, falam, falam, falam, falam... e, de repente, o mundo pára de girar.

os receptores de acetilcolina, aquele zumbido no ouvido, a tontura e a vontade de sair andando no passo bêbado das noites e dias nublados. porque agora pode chover. não tenho muitos bens pra guardar mesmo...

*o bolo de chocolate saiu amargo. o açucar que existia acabou. os que trabalham na venda não abrem a porta pra mim.

"Don´t analyse, don´t analyse.
Don´t go that way, don´t live that way.
That would paralyse your evolution"

Elenise Penha

abril 23, 2008

Faz tempo que eu esqueço...

Engraçado. Quando eu tinha 12 anos queria ter 16. Dezesseis e não quinze. Nunca gostei da idéia dos 15 anos... baile de debutantes e outras cositas más. E, acima de tudo, abominava a idéia de usar um vestido. Acho que porque só conseguia mentalizá-lo rosa. Tule rosa.
Quando completei 16, olhei pros dois lados esperando o bum! Nada de explosões. Nada de anormal nem grandioso. Resolvi ficar na minha, sem alardes. Dizem que um ser humano aos 14 anos já tem a sua personalidade formada. Dizem. Na verdade, puxando um pouco minha memória desenergizada, não lembro muito dos meus 14 anos... Digo, algo que não esteja relacionado à colégio. Pensando ainda melhor, lembrei, mas é óbvio que não estou nem um pouco afim de fazer um mini flash-back do meu pré-quinze-anos.
Enfim, quando cheguei ao patamar, à parte mais alta dos meus glorificados 16 anos... Nada. Nada de interessante. Mas como tenho a mania de estabelecer pontos a serem atingidos, resolvi que quero fazer 19.
Nem sei o porquê dessa vontade toda. Provavelmente seja um vestígio da ânsia de liberdade que os jovens tanto sofrem. A culpa é daquela mania de assistir filme americano demais, achar tudo bonito demais e querer que na vida tudo seja daquele jeito. Mas é estranho. Eu sempre soube que aquilo era mentira. Sempre soube que não ia morar só quando passasse no vestibular. Sempre soube que não ia ganhar um carro. Sempre soube. E a vontade sempre resistiu.
Bem... Cá estou eu ainda na vontade, me sentindo cada vez mais velha. Velha caquética e enrugada. Devo permanecer enrugada por um bom tempo. Não tenho paciência nem memória de ficar usando aquele arcenal de cremes e coisas que tem no meu quarto. Cosméticos de mãe/irmã.
Que bom que minhas 17 primaveras foram bem aproveitadas. Pelo menos é o que eu acho até agora, quer dizer, até o mês passado... "
"Faz tempo que eu esqueço das horas e as horas vão matando o que penso...
O tempo traz a história do mundo nas costas, tudo isso vem no sopro do vento..."
Elenise Penha

abril 19, 2008

ando fria. fria como a madrugada que eu tanto gosto. invento lugares pra ir, só pra andar. manter minhas pernas em movimento dá a impressão de um objetivo, algo a seguir. e ando fria. friamente pelas ruas e calçadas. olhando prum céu que parece estar mais azul, apesar de tudo. as flores desapareceram da vista. a caminhada parece mais calma... e azul. com um vento de 5 e 45 da manhã. e sinto fome. uma fome interminável. [será?] sinto saudade... uma saudade que dói, de algo que nunca volta. [porque a Morte é a mais velha de todas nós.] tudo está tão calmo que tenho é medo. e não ouço mais músicas tristes. não deixo de sair. não deixo. apenas aprendi a dsligar e celular mais vezes... e a calar.


não, não estou cinza. estou cinzas.


"então se descobre que seria melhor do outro jeito. seria melhor morrer de amor. tomar porre e chorar na calçada, na sarjeta, borrando a maquiagem e sujando os pés sem se preocupar com os que passam. ['você é uma figurante, querida...'] seria melhor fazer merda, bastante merda e não se arrepender depois. seria melhor ir atrás daquele homem bonito que você viu passando na rua aquele dia. seria melhor sorrir pra mulher de vermelho. e não baixar os olhos. seria melhor ter a cara limpa e o sangue de barata, além do sangue quente. sofrer tudo pra depois dar uma de felino: lamber as feridas.

feliz foi aquela moça que se jogou da ponte. feliz e burra, mas feliz."


Elenise Penha

abril 01, 2008

Cinza

Hoje tudo está tão quieto. tudo tão frio. é... definitivamente eu funciono melhor nestes dias de céu nublado. o cinza, o cheiro da terra molhada. tudo me dá ilusão de que tudo está bem, pelo menos naquele segundo. então eu sento na cama. vejo que tenho que levantar, não posso ficar para sempre presa aos lençóis... não posso.
.

Cinzento. tudo é cinzento. tudo é cinzas.
.
.
[penso que tudo o que penso já foi dito. dá até vontade de calar pra não ser preso por plágio. vontade de calar... queria eu obedecer.]
Fêmea sonhadora dos dias cinzentos
com saudade do tempo
saudade da vida...