Engraçado. Quando eu tinha 12 anos queria ter 16. Dezesseis e não quinze. Nunca gostei da idéia dos 15 anos... baile de debutantes e outras cositas más. E, acima de tudo, abominava a idéia de usar um vestido. Acho que porque só conseguia mentalizá-lo rosa. Tule rosa.
Quando completei 16, olhei pros dois lados esperando o bum! Nada de explosões. Nada de anormal nem grandioso. Resolvi ficar na minha, sem alardes. Dizem que um ser humano aos 14 anos já tem a sua personalidade formada. Dizem. Na verdade, puxando um pouco minha memória desenergizada, não lembro muito dos meus 14 anos... Digo, algo que não esteja relacionado à colégio. Pensando ainda melhor, lembrei, mas é óbvio que não estou nem um pouco afim de fazer um mini flash-back do meu pré-quinze-anos.
Enfim, quando cheguei ao patamar, à parte mais alta dos meus glorificados 16 anos... Nada. Nada de interessante. Mas como tenho a mania de estabelecer pontos a serem atingidos, resolvi que quero fazer 19.
Nem sei o porquê dessa vontade toda. Provavelmente seja um vestígio da ânsia de liberdade que os jovens tanto sofrem. A culpa é daquela mania de assistir filme americano demais, achar tudo bonito demais e querer que na vida tudo seja daquele jeito. Mas é estranho. Eu sempre soube que aquilo era mentira. Sempre soube que não ia morar só quando passasse no vestibular. Sempre soube que não ia ganhar um carro. Sempre soube. E a vontade sempre resistiu.
Bem... Cá estou eu ainda na vontade, me sentindo cada vez mais velha. Velha caquética e enrugada. Devo permanecer enrugada por um bom tempo. Não tenho paciência nem memória de ficar usando aquele arcenal de cremes e coisas que tem no meu quarto. Cosméticos de mãe/irmã.
Que bom que minhas 17 primaveras foram bem aproveitadas. Pelo menos é o que eu acho até agora, quer dizer, até o mês passado... "
"Faz tempo que eu esqueço das horas e as horas vão matando o que penso...
O tempo traz a história do mundo nas costas, tudo isso vem no sopro do vento..."
Elenise Penha